Somos todos iguais!

Publicado por em 29/09/2016 às 22h09

Somos todos Iguais! O olhar que ressalta a igualdade também é ensinado!

O olhar que ressalta a igualdade também é ensinado!

Liguei para saber se Luís poderia tirar-me uma dúvida acerca de uma questão de trâmite bancário e fiquei sabendo que ele estava de malas prontas para a capital paulista. Preocupada, procurei saber de sua mãe o motivo da viagem, uma vez que, desde adolescente, ele faz controle de saúde em virtude de um câncer que levou à amputação da perna direita acima do joelho. Para minha surpresa ele estava compondo um time de vôlei que disputaria uma vaga naquela cidade!

Viajei no tempo: lembrei-me de quando o conheci - ele tinha uma prótese antiga, pesada, que fazia com que entortasse a coluna para dar cada passo; constrangido, sempre mantinha a prótese coberta pela perna da calça, fazendo questão de manter a outra dobrada, evidenciando o membro perfeito.

Preocupados, os familiares se reuniram e incentivaram-no a consultar um ortopedista novamente – mesmo que reavivasse antigos traumas; ele aceitou e saiu da consulta maravilhado, com um projeto novo, de uma prótese moderna.

De lá para cá as coisas mudaram radicalmente: o jovem médico, percebendo a sequela que aquele problema trouxera ao espírito de Luís, encaminhou-o para um grupo novo de pessoas que exercitavam o caminhar com a prótese moderna; mostrou-lhe meios de solicitar ao banco onde ele trabalhava, ressarcimento de parte do valor pago pela prótese e descortinou para ele um mundo novo em possibilidades. E Luís, agora, já usa bermuda, deixando à vista a prótese e, ato contínuo, participa de um grupo de jovens praticantes de esporte que viaja para disputar campeonatos!

O que foi que mudou? A prótese? Não: o acolhimento daquele grupo de pessoas e seus familiares, vendo-o com o olhar de que ele é comum, como comuns são seus filhos; e assim o constrangimento deu lugar à alegria.

Acolhimento, inserção, aceitação; palavras miraculosas que têm o poder de quebrar barreiras; e elas devem fazer parte do vocabulário que ensinamos a nossos filhos, desde pequeninos. Eles devem compreender que valemos pelo que somos e não pelo que aparentamos, pelo que mostramos, como nos vestimos, nos penteamos, do quê ou de quem gostamos.

Devemos desde cedo ressaltar e valorizar o que temos de comum, o que nos torna iguais – a humanidade! E ensinar que esta humanidade tem várias cores, tamanhos, formas, idiomas, pertences e valores.

E que no fundo somos todos iguais porque somos todos seres humanos; cada um vem de um lugar, por isso o olhinho puxado, a cor de pele diferente, o penteado e as roupas distintas, uns altos e fortes, outros baixos e magros; uns falam algo que podemos compreender e outros falam ‘tudo enrolado’!

Alguns moram em lugares com estruturas boas e outros não; uns se alimentam bem e por isso são fortes; outros se alimentam menos e estão mais magrinhos. Uns nasceram ‘completos’ e outros ‘faltam’ uma parte, ou perderam esta parte por causa de algum problema.

 Mas observemos bem: somos - nós e eles, pessoas; e brincamos, rimos, nos divertimos, estudamos, aprendemos juntos e juntos vivemos as mesmas dores, alegrias, incertezas e preparação do futuro.

Se formos colocados todos em um mesmo lugar e com a mesma roupa, certamente notaremos um número menor de diferenças...

Simples o exemplo do diálogo, mas reflita na profundidade dele e avalie o quanto mudaríamos as pessoas, em seu jeito de ver e tratar as pessoas diferentes... e veja o quanto podemos fazer por nossos filhos ao ensiná-los, desde cedo, a aceitar o outro como ele é.

Se ainda persiste alguma dúvida em seu coração, procure responder às questões abaixo e veja se vale a pena ou não, o simples diálogo sugerido.

Você tem certeza de que seu filho nunca sofrerá um acidente lesionador?

Tem certeza de que ele sempre terá todos os recursos materiais por toda a vida?

Pode afirmar, categoricamente, que nunca haverá mudanças em sua vida, causando-lhe mudança de status social?

Que você nunca se mudará para um país onde predomine uma cor de pele diferente?

Você pode afirmar, com certeza, que o coração de seu ou filha se apaixonará por alguém absolutamente igual a ele/ela?

Você tem certeza....?

 Vanessa Motta Reis

Tags: Criança, Desenvolvimento, Educação e Comportamento

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