Cama compartilhada: prós e contras

Publicado em 03/02/2016 às 14h49

A prática da cama compartilhada pode trazer algum benefício para a criança ou então vir a prejudicá-la?

A polêmica é grande, mas saiba que existem prós e contras!

Cama compartilhada

Adormecer em uma cama confortável, depois de um dia cansativo, é tudo o que nós, mamães, mais queremos, não é mesmo?

Só que, muitas vezes, acabamos de colocar o bebê no berço e, quando viramos, as costas... O choro começa! Parece ecoar de uma ponta a outra da casa e às vezes dá vontade de chorar também. Desesperador!

Mas recuperamos a força logo, logo, quando achamos que a “saída” é deixar o bebê dormir na mesma cama que a nossa e soltamos um despistado “É só hoje!”. Será mesmo? 

É a cama compartilhada, você já deve ter ouvido falar. Pode acontecer em outra fase também, quando a criança já dorme no próprio quarto, mas, no meio da noite, já sabendo falar, emite pela primeira vez aquele grito de “Mãe... mããããeee!”, que só vai aumentando, à medida que nos fingimos de surdos. E aí... quando na segunda vez acontece, começa o “discurso” entre o casal, no meio da madrugada... “Vai você!”... “Ah, não! Ontem eu já levantei, hoje é a sua vez.”... “Você vai dormir lá com a...? Ou é melhor trazer pra nossa cama?”.

Mas por que tudo isso acontece? Por que sempre nos preocupamos e ficamos em dúvida se isso é bom ou ruim? Ou então por que temos sempre que ficar entre o “certo” e o “errado” com relação aos nossos filhos e não podemos ouvir nossos instintos... a nossa sensibilidade de pai e mãe?

Devido às nossas crenças, costumes, à cultura trazida da geração de nossos pais, insegurança quanto aos questionamentos dos outros, ao ouvirmos perguntas do tipo: “Mas não vai atrapalhar a intimidade do casal?”; “Parem de fazer isso, senão fulano nunca mais vai sair da sua cama!”. E também ficamos muito preocupados com o que os outros vão dizer e nos cobramos mesmo: sentimento de culpa!... Você, que está aí do outro lado lendo, por acaso dorme na cama dos seus pais até hoje?

Bem! É um assunto que às vezes chega a ser engraçado, mas ao mesmo tempo é sério, porque há divergências. Muitas vezes, a família se sente insegura e incomodada com a reação dos avós da criança, com a opinião do pediatra, da amiga... Mas e o casal? Já parou para pensar no perfil da própria família, no que é mais prático e saudável, emocionalmente, para todos dentro da própria casa? 

Que mãe nunca gostou de dormir com o filho, sentir aquele cheirinho gostoso e o calor do bebê na mesma cama que a sua? Você não precisa se culpar por causa disso. Não é o fim e, se costuma fazer isso, saiba que há vários contras com relação a ter a cama compartilhada, mas existem muitos prós também. E vale a pena saber:

Os prós – Por que é positivo?

Muitas mães preferem dormir mais perto do bebê, principalmente nos primeiros meses, quando ainda estão debilitadas por causa do parto, e então, preferem colocar o berço ao lado da cama. É o momento em que a amamentação costuma ocorrer quase que de hora em hora e aí é aquele ritual, quando precisamos nos levantar: trocar fralda, amamentar, colocar para arrotar, colocar para dormir. E quando a cama é compartilhada, nem precisamos nos levantar.

A vantagem é que, quando estamos amamentando, nosso sono tende a ficar mais leve, já que estamos sempre em alerta para quando o bebê acordar. A outra vantagem é que, quando dormimos mais perto da criança, despertamos com mais facilidade e evitamos que a criança se sufoque, que se enrole em algum cobertor, que se engasgue, entre outra série de coisas.

Muitos psicólogos afirmam que existem grandes benefícios com relação às necessidades físicas e emocionais do bebê, já que ele se sente mais seguro e protegido, além de ser realmente difícil para um ser que se desenvolveu nove meses em relações internas profundas dentro do útero, tenha que se desprender da mãe tão rapidamente.

Eles sentem tranquilidade e conforto, perto da mãe. Ao contrário, quando estão longe, em um ambiente mais frio e distante. E aí, quando a criança percebe que está “longe”, passa a associar o sono como um momento de sofrimento, de “desligamento” da mãe.

Outro benefício é para a própria mãe. A maioria relata que se sente mais segura e tem um sono mais confortável, quando sabem que o bebê está ali, bem pertinho e que, se acontecer qualquer coisa, elas estão ali “para acudir”. Já houve casos em que a criança ficou solitária e se sufocou, não havendo ninguém por perto para socorrer. Já pensou nisso também?

E quais são os contras?

Os contras existem, mas é necessário haver um equilíbrio e um consenso entre o casal. Se a cama compartilhada estiver sendo motivo de desentendimentos entre o casal, talvez a mãe esteja se esquecendo de dividir as atenções. Na hora da intimidade entre parceiros, namorados, enfim, deve-se usar a criatividade e não deixar o relacionamento íntimo se dissolver; cair na rotina. Se está acontecendo um “distanciamento”, o problema não é a cama compartilhada, e sim que a relação conjugal precise ser “ajustada”. E quando um bebê chega, é natural que as coisas mudem, que o sexo passe a ficar em segundo plano, mas não é para sempre. Tudo isso passa!

Outro aspecto que muitas pessoas costumam ver como algo contra é o fato de que cada um na casa deve, desde cedo, ter seu espaço, o medo de ficar mal acostumada e ser difícil fazer a criança querer dormir sozinha em seu próprio quarto, enfim... Além disso, muitos especialistas afirmam que a criança precisa desenvolver sua individualidade e que a criança pode ir, aos poucos, aprendendo a lidar com frustrações e a estabelecer a sua própria rotina de sono.

E quanto segurança a quando os pais optam por ter a cama compartilhada?

Existem algumas estratégias que a Organização Mundial de Saúde recomenda para que as mães se sintam mais seguras e possam ficar o lado dos filhos, na hora de dormir.

Se quiser compartilhar a cama, se for mesmo adepta ao co-sleeping, aprenda a ter hábitos seguros. Veja:

  • Até o sexto mês, a mãe pode colocar um bercinho bem ao lado da cama da mãe. Assim, ela pode ver o bebê e ter mais facilidade para perceber se o bebê está soluçando, se está com refluxo, etc.
  • Se você quiser que o bebê durma na sua cama, coloque-o entre você e a parede; nunca entre você e seu cônjuge, pois os papais nem sempre têm o sono leve igual ao das mamães.
  • Tome todos os cuidados possíveis para que o bebê não caia da cama.
  • Jamais saia da cama e deixe seu bebê sozinho nela. Se precisar se levantar, coloque-a no berço. Seja consciente!
  • Utilize sempre grades ou protetores laterais quando colocar o bebê na cama dos pais.
  • Não adormeça com o bebê no seu colo. Elimine qualquer risco de seu bebê cair, quando você adormecer.
  • Mantenha o quarto do casal sempre limpo, bem higienizado, para que fique bem confortável para o bebê.
  • Se você estiver muito tempo tendo privações de sono, tiver ingerido bebida alcóolica ou precisar tomar algum medicamento que deixe o seu sono mais profundo, como antialérgicos, antidepressivos, etc., não faça a cama compartilhada.
  • A cama da mãe não pode ter muitas almofadas, nem bichos de pelúcia, pois podem provocar reações alérgicas no bebê.

Polêmicas e divergências a parte, um sono tranquilo começa com uma gestação tranquila, com alimentação saudável e hábitos saudáveis por parte da mãe.

E continua quando um adulto é consciente e responsável. Cama compartilhada ou não, o sono de um bebê ou uma criança dependente sempre deve ser vigiado por um adulto consciente e responsável, que se dedique e ofereça ao filho todo o cuidado e o carinho que uma criança merece.

Tags: Cama Compartilhada, Desenvolvimento, Educação e Comportamento

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