Ser Pai vai além de uma simples troca de fraldas!

Publicado por em 31/05/2016 às 14h01

Quem diria ... começou com uma troca de fraldas!

Ser pai vai além de uma troca de fraldas

Hoje me lembro de ficar observando, confesso que com um pouco de medo e com curiosidade, achando muito engraçado a primeira tentativa do meu marido em trocar a fralda da nossa filha.

Havíamos conversado uns dias antes e ele me questionou, achando que eu estava muito cansada e que tinha vontade de me ajudar, mas confessava certo constrangimento por não ter a habilidade e os meus cuidados...

Nossa pequenina já estava com quase 2 meses e ele sempre foi muito carinhoso, sempre por perto nas horas que necessitei, mas o contato físico ainda era pequeno.

Falei, então, que se ele não tentasse, não conseguiria; mas apenas comentei nada de dizer - então é agora!

Uma tarde, enquanto eu estava envolvida com um trabalho no notebook e levantei-me para ver se a máquina de lavar já tinha encerrado seu ciclo – ações basicamente femininas; não, não a máquina, mas a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo-, verifiquei que a pequena precisava trocar as fraldas e disse-lhe carinhosamente: - mamãe já vai deixá-la limpinha!

Quando retornei vi meu marido com as fraldas na mão, a cestinha com os materiais da higienização do bebê e pronto para a tarefa.

Com naturalidade, passei por eles e voltei para o note, mas fiquei, de longe, a observar.

Ele meio trêmulo, iniciou um ‘diálogo’ com nossa filha, explicando-lhe o que iriam fazer juntos naquele momento; confessou-lhe ser a primeira vez que o fazia e que ela lhe avisasse se algo estava saindo errado, dando-lhe a dica de como a mamãe fazia.

Percebi no seu olhar atento que às minhas ações não foram em vão; trocou nossa pequena com carinho e cuidado; incentivado com seu bom desempenho, pegou-a cuidadosamente no colo e andando vagarosamente, ensaiou um suave e baixinho canto...

Nunca me esquecerei destes minutos.

Tenho certeza de que nossa filha também não.

Naquele momento, de forma mais efetiva, meu marido e minha filha criavam um vínculo que seria indestrutível; essa sequência de ações certamente ficaria registrada no inconsciente da nossa pequena. Mais tarde, talvez ela nem soubesse onde estaria, em seu íntimo, a origem desta memória afetiva que a nortearia para várias ações.

Como eu gostaria que outros pais compreendessem que a parceria no cuidado das crianças é muito mais que ‘descansar a mulher’.

Que a partir do momento que juntos decidem, ou se não o fazem, mas juntos compartilham a chegada de um filho, tudo que o envolve diz respeito aos dois.

Que a criança é o centro da vida a partir daquele momento: não que o restante da vida seja deixado de lado, mas que não compete apenas à mulher doar-se, desdobrar-se, prejudicar-se profissionalmente, perder oportunidades.

O homem de hoje tem que se fazer presente em todos os prismas da vida a dois – se a mulher atualizou seu papel inserindo-se no mundo do trabalho e trazendo recursos materiais para o orçamento doméstico, nada mais justo que as tarefas que dizem respeito ao lar sejam também compartilhadas.

E se têm filho, ele é a prioridade da vida dos dois!

Aos dois compete a tarefa de entrevistar e contratar a babá; irem, em datas previamente marcadas, ao pediatra; acompanhar o cartão de vacinação; fazer as compras de alimentos, fraldas, medicamentos; o revezamento nas noites para a mamadeira e o cuidado do bebê.; o banho e a troca de fraldas.

Que juntos compartilhem do primeiro sorriso, de uma gostosa gargalhada, do primeiro tombo quando da perigosa aventura de colocar-se de pé e dar o primeiro passo.

Que seja dos dois a preocupação de fechar as janelas quando muda o tempo; de reposicionar o abajur para que o foco de luz não fique diretamente sobre o rosto do pequeno. De verificar se no entorno da banheira nada há que venha a possibilitar um acidente durante o banho.

Deixar ao pai estes pequenos cuidados, é dar-lhe a possibilidade de fazer parte da vida de seu filho desde os primeiros e mágicos momentos em que ele chega na vida de seu pai...

Que bom que meu marido percebeu isto a tempo e tenho certeza de que mais tarde, quando interiormente parabenizar-se por ser um pai participativo, que escolhe bem suas prioridades, que sabe valorizar o esforço de sua mulher nos papéis de esposa, mãe e profissional – papéis que são, naturalmente também os seus (marido, pai e profissional), ele rirá prazerosamente e pensará: - quem diria, tudo começou com uma troca de fraldas!

Mamãe
Vanessa Motta Reis

Categoria: Maternidade

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