Ler ou não ler, eis a questão!

Publicado por em 17/12/2017 às 00h58


Ler ou não ler, eis a questão!Ipad, iphone, smartphone, aplicativos, jogos ... O mundo moderno trouxe a tecnologia para o dia a dia da criança, desde a barriga da mãe. O que eu acho disso? Acho ótimo! O avanço contínuo da tecnologia possibilitou o surgimento de múltiplas plataformas para entreter e informar os pais e as crianças. Como não amar? Tudo tão prático, tão à mão. Para os pequenos, então, que descobrem os atalhos facilitadores rapidinho, é a verdadeira materialização do "pede e obtereis".

Bacana ter a resposta de tudo assim tão rápido, né? Pois esse é exatamente o ponto em que a coisa começa a não ficar tão bacana assim. 

Essa velocidade de resposta nos deixa elétricos, sem a menor paciência de espera, literalmente viciados, principalmente quando falamos de crianças.

Já a leitura é um hábito sereno, chega a ser romântico!

Se você está lendo este artigo e o seu bebê ainda está na barriga vou lhe dar um conselho: comece já a ler para ele. Compre livros, daqueles com histórias bem curtinhas. Procure um lugar calmo e converse com o seu bebê. Diga que comprou esse livrinho pensando nele. Leia baixinho, acaricie sua barriga. Faça pequenas e carinhosas pausas entre um texto e outro. Garanto que ele vai começar a se apaixonar pelo hábito da leitura e você também.

Desligue-se um pouco da loucura do dia. A maioria das mulheres trabalha até o último momento da gravidez, então, comprar os livrinhos e ler para o seu bebê vai obrigar você a parar e relaxar, virando um ritual de vocês, o seu bebê agradece! O papai, irmãos, vovô, vovó, enfim, a família pode participar também. Olha que momento gostoso surgindo no seu dia...

Quando a criança cresce tendo seus próprios livrinhos, muito provavelmente, será adepta do hábito da leitura.

Se você tem um bebê ou criança pequena em casa, pense nisso:

  • O livro acalma. O ipad excita.
  • O livro estimula a imaginação livre. O ipad dá caminhos para a imaginação.
  • O livro estimula o espírito investigativo, a pesquisa. O ipad muitas vezes mata o espírito investigativo, pois as respostas vêem rápido demais.

Segundo Winnicott os livros possibilitam com que os indivíduos se deliciem na vasta fronteira da palavra. Esta “fronteira” representa exatamente onde a realidade psíquica e a realidade do mundo externo se fundem e interagem. Desta forma, a leitura de histórias ganha uma ação terapêutica, onde as crianças podem elaborar fatos do dia a dia como mudanças, a chegada de um irmãozinho, mudança de escola, situações difíceis, traumas, medos, etc.  Tudo isso de forma particular, sem nenhuma condução prevista.

Mais uma vez reforço que não sou contra a tecnologia, apenas observo que ela tem entrado, cada vez mais cedo, cada dia com mais força, na rotina infantil. Isso tem deixado muitas crianças ansiosas e com dificuldade de concentração na escola.

Quando as crianças crescem, o problema fica ainda maior, pois estão acostumadas a fazer pesquisas no Google, apresentando trabalhos escolares com o famoso hábito Colar-Copiar, sem ao menos ler o conteúdo para ver é coerente. Daí para chegar a faculdade sem ter raciocínio e redação próprios é um pulo.

Já que a tecnologia chegou para ficar e estará inserida no nosso cotidiano, o desafio agora é desacelerar, incentivando as crianças a ter pensamentos e opiniões próprias.

Uma criança que lê se expressa e escreve melhor. Vale aderir ao mantra: Leia para o seu bebê. Leia com o seu bebê. Incentive o hábito da leitura em casa.

 
Abraços,
Andreia S. Jenkins - educadora, formada em Literatura pela UFRJ e consultora sobre comportamento infantil e relação mãe-filho.

Tags: Criança, Desenvolvimento, Leitura, Tecnologia

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