Dislexia, como identificar e o que fazer

Publicado por em 22/08/2017 às 14h49

A troca de palavras em crianças pequenas pode ser bem fofa. Ela acentua o ar de ingenuidade, já característico da infância, e enternece nossos corações. Mas quando ela vem associada com dificuldades de aprendizagem, pode ser um caso de dislexia. Então, vamos entender melhor sobre dislexia e suas implicações:

A palavra dislexia vem do grego. “Dis” (Dus) que significa dificuldade e “Lexis”, que significa linguagem. Portanto, dislexia é a dificuldade que algumas crianças apresentam para aprender a ler, escrever ou interpretar o texto lido.

Normalmente, a dislexia começa a chamar a atenção dos pais e professores a partir da alfabetização (7 anos de idade), como um transtorno de aprendizagem. Porém, o quanto antes ela for identificada menores serão os impactos da dislexia na vida social da criança.

Podemos perceber os primeiros sinais da dislexia entre 2 a 3 anos de idade. Por ser um transtorno de aprendizagem, a criança pode demorar mais para aprender a falar. Ao interagir, a criança poderá apresentar vocabulário restrito, usando frases simples e, com muita frequência, trocando nomes de objetos e ter dificuldade ao reproduzir histórias que lhe foram contadas. Por volta dos quatro anos de idade, na escola, ela poderá não conseguir acompanhar o ritmo de músicas, não identificar rimas e não conseguir associar palavras que iniciam com o mesmo som. Já por volta dos seis anos de idade, aparece a dificuldade para a leitura e interpretação de textos, mesmo que curtos.

Muito frequente, os disléxicos têm dificuldade em relacionar as letras com os sons que elas representam, invertendo a posição das mesmas dentro da palavra. Existe, também, o clássico exemplo da troca de letras como do P pelo B, mas é importante entendermos que esses sinais não podem ser analisados isoladamente. Durante o processo de aquisição de linguagem as trocas de letras e/ou palavras são frequentes e nem sempre significam um sintoma de dislexia. As dificuldades só devem ser relacionadas ao distúrbio se apresentadas de forma frequente, por isso, a observação da criança é fundamental.

Muitos fonoaudiólogos e pedagogos consideram que o diagnóstico só pode ser fechado por volta dos 6-7 anos de idade da criança, com o suporte dos professores que lidam com a mesma. É muito importante que a escola abrace e esteja envolvida ativamente no processo.

Crianças com dislexia podem ser mais dispersas por não acompanhar o ritmo dos amiguinhos. Evite comparações com irmãos, primos e colegas de escola. Uma criança com dislexia não é preguiçosa, desinteressada, não tem má vontade, nem tampouco é menos inteligente que as demais. Ela apenas precisará de auxílio de uma equipe multidisciplinar para auxiliá-la, a superar esse transtorno de aprendizagem.

A dislexia NÃO é uma lesão cerebral nem déficit de inteligência. Ela não está relacionada com algum problema auditivo ou visual. A dislexia atinge aproximadamente 10% da população mundial, em sua maioria do sexo masculino.

O cérebro de indivíduos com dislexia opera de forma diferente: a área esquerda, responsável por processar a leitura, trabalha menos e a área direita acaba compensando essa falta. O tratamento não tem cura, mas auxilia para que o cérebro se adapte às condições da dislexia.

Alguns fatores que contribuem para a dislexia:

Alguns fatores que contribuem para a dislexia:

  • Baixo peso no nascimento.
  • Crianças que nasceram prematuras.
  • Quando as mães que usaram álcool, drogas e tabaco durante a gestação.
  • Apresentação de algum histórico familiar de transtorno de aprendizagem, hiperatividade e déficit de atenção.
  • Diabetes infantil.

Crianças com dislexia costumam ser muito criativas. Albert Einstein, Thomas Edison, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso, Vincent Van Gogh, Napoleão Bonaparte, Walt Disney e Agatha Christie. Esses são alguns ícones que tiveram dificuldade para aprender a ler e a escrever porque, possivelmente, eram disléxicos. Então, não se apavore, ame seu filho, esteja próxima e dê a atenção necessária que ele irá precisar para lidar caso seja diagnosticado com dislexia. Buscando auxílio profissional você verá que mitos e medos são as únicas coisas que podem atrapalhar a vida do seu pequeno.

 

Andreia S. Jenkins
Bio: Andreia S. Jenkins é educadora, formada em Literatura pela UFRJ e consultora sobre comportamento infantil e relação mãe-filho.
 
Tags: Comportamento, Desenvolvimento, Dislexia

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