A importância do desenvolvimento motor na era da tecnologia

Publicado por em 28/06/2018 às 23h59

A importância do desenvolvimento motor na era da tecnologia

Sabemos da importância do desenvolvimento motor na primeira infância, mas nos deparamos em nosso dia-a-dia com o desafio dos estímulos motores se tornarem mais atraentes que os estímulos oriundos do uso da tecnologia.

Estudos da neurociência como os de Jean Le Boulch e Jane Case-Smith, comprovam que o cérebro infantil é capaz de fazer novas conexões que servirão como “alimento”, digamos assim, para o seu desenvolvimento e para o aprimoramento de suas funções e que tais conexões crescem rapidamente nos dois primeiros anos de vida. Além disso, tais estudos mostram que os estímulos externos influenciam diretamente no desenvolvimento das crianças, e que suas vivências e experiências em seus primeiros anos de vida interferem em suas conquistas.

Sendo assim, considerando a linguagem corporal e o desenvolvimento motor, acredito que as crianças precisam de espaço para se movimentar e liberdade para desenvolverem suas habilidades, por meio da exploração, da prática e da experiência direta com o ambiente em que vivem. Vale ressaltar que não é o tamanho do espaço que é importante e sim a qualidade de interação que a criança exerce nele, ou seja, não quer dizer que aquela criança que tem um campo enorme para brincar terá mais oportunidade de desenvolvimento daquela que tem um espaço limitado. Entendo que a interação de qualidade com esse espaço, mediada por uma outra pessoa, seja ela criança ou adulto, oferecerá ganhos reais de desenvolvimento para a criança.    

Porém, o que tenho percebido atualmente, é que muitas das nossas crianças estão envoltas, em grande parte do seu tempo, aos estímulos tecnológicos e acabam deixando de lado os estímulos motores tão importantes para o seu desenvolvimento. Claro que a criança não tem a clareza disso, e não desmereço o contato com a tecnologia na época em que vivemos, mas, nós adultos, devemos ficar atentos a esta questão.

Certo dia, em uma conversa informal, uma mãe me relatou que propôs aos filhos uma tarde sem tecnologia, na qual as crianças passariam duas horas brincando no quintal da casa da avó. Passado algum tempo, um de seus filhos entrou em casa e disse que já estava cansado de ficar lá fora, que estava se sentindo preso naquele quintal. Poderíamos pensar o inverso, não? Quantas crianças, e adultos também, estão presos dentro de seus próprios aparatos tecnológicos?

É fundamental orientarmos as crianças sobre a utilização de tais aparatos e em contrapartida oferecer incentivos para além dos estímulos tecnológicos. Propor brincadeiras ao ar livre, andar de bicicleta, correr, pular corda, jogar, dançar, brincar de mímica, propor jogos competitivos e cooperativos, dentre várias outras atividades que intercalam o movimento ao humano, ou seja, que permitem às crianças, além de desenvolverem as suas habilidades motoras, expressarem-se por meio do seu corpo e com isso constituírem-se na relação consigo mesmas, com os outros e com o meio em que estão inseridas. Acredito ser esse um grande desafio para nós adultos, mostrar o quão interessante é o outro lado!!

 

Karime Haviara
psico_karime@yahoo.com.br
(41) 99686-6727
(41) 3338-9806
Tags: Criança, Desenvolvimento, Tecnologia

voltar para Desenvolvimento

left tsN center fsN bsd c15n show fwB b10s|left fwR tsN b10s bsd|left show fwR normalcase tsN bsd b10s|bnull||image-wrap|news login uppercase fwB|fsN fwR b01 bsd normalcase c05|b01 c05 bsd|news login uppercase c05 fwR|tsN fwR normalcase|fwR uppercase b01 bsd|content-inner||